O JOGO

Totó vive “dia especial” ao ser homenageado

Tonhão, com a esposa Débora, Totó e Roger Willians durante solenidade

Tonhão, com a esposa Débora, Totó e Roger Willians durante solenidade

O dia 3 de outubro de 2015 jamais sairá da memória do professor Plácido José Von Ah, o Totó, o dirigente mais antigo em atividade no esporte de Americana. Desde sábado, a sala de troféus inaugurada no complexo do Centro Cívico, no Jardim da Colina, leva seu nome. Homenagem justa e que emocionou esse campineiro com alma de americanense de 66 anos.

A homenagem foi iniciativa do vereador Antônio de Lima e Silva, o Tonhão, devidamente aprovada por unanimidade pela Câmara de Americana, e faz justiça ao trabalho e à simplicidade do ex-ponta do Guarani na década de 60 e do professor de atletismo na PUC Campinas de ninguém menos do que Adenor Leonardo Bachi, ou simplesmente Tite, hoje o consagrado técnico do Corinthians – não por acaso, o time de coração de Totó.

Familiares, amigos e autoridades acompanharam a solenidade de inauguração da Sala de Troféus Professor Plácido José Von Ah (Totó). Nos discursos, elogios à conduta séria e profissional do homenageado, que vivenciou todas as conquistas do esporte de Americana nos últimos 40 anos.

“Posso afirmar, sem medo de errar, que foi um dia especial, muito especial”, disse Totó, em entrevista exclusiva ao O JOGO. Confira:

O JOGO – Qual o significado de ter seu nome na Sala de Troféus do Esporte de Americana?

Totó Von Ah – Tem um significado grande. Todos esses troféus que ai estão são fruto de muito suor, muitas lágrimas, muito sangue. Peço desculpas pela falsa modéstia, mas tenho muito a ver com tudo isso. Participei de todas as conquistas, não dirigindo, nem competindo, mas sempre fui um bom articulador.

Você esperava receber essa homenagem?

Sinceramente, não. Mas posso afirmar, sem medo de errar, que em termos de esportes, foi um dia especial, muito especial. Só tenho que agradecer a todos que, de uma forma ou outra, tornaram esse momento em realidade.

Ao longo de quase 40 anos atuando no esporte de Americana, qual o momento positivo mais marcante?

Sem dúvida, vencer as eleições para Americana sediar os Jogos Abertos do Interior de 1978 e 1991. Lembro que as eleições foram em Tupã e Araçatuba. Muita gente queria que Americana recebesse a competição, mas quem conseguiu foi o Totó, que trabalhou sem alarde, só nos contatos de bastidores para conquistar os votos. A vinda dos Abertos impulsionou de maneira gigantesca a estrutura do esporte de Americana, especialmente em termos de obras.

E o mais triste?

A morte dos jogadores de handebol é difícil esquecer…

(No dia 15 de novembro de 1998, quando retornavam, de um torneio em São Sebastião, litoral norte do Estado, os jogadores Fábio Deltreggia e Rodrigo Benazzi sofreram acidente no km 116 da Via Anhanguera, sentido capital-interior, e faleceram. Também morreu a bracista Adriana Camargo, de Nova Odessa, que era namorada de Benazzi).

Você citou fatos extra-quadra. E dentro dela, quais os momentos inesquecíveis?

Difícil responder… Precisaria de algumas horas para pensar, afinal, são quatro décadas, né. O que posso dizer é que, com absoluta certeza, foram muito mais momentos alegres do que triste. Não fosse assim não estaria aqui há 40 anos.

Qual o principal dirigente com quem você trabalhou no esporte de Americana?

Poxa vida, pergunta fácil hein… Todos, claro, se dedicaram e deram sua parcela de colaboração, mas já que tenho que citar um nome, vou citar o Ricieri Dezen, responsável pela minha vinda a Americana. Ele era polêmico, mas tinha muita visão sobre tudo que envolve a área esportiva. Foi o Ricieri quem iniciou o trabalho das escolinhas.

Com a extensa folha de serviços prestados ao esporte americanense, você se sente injustiçado por não ter ocupado um cargo mais importante, como, por exemplo, ser secretário de Esportes?

De forma alguma. Para ser secretário, é preciso ter jogo de cintura e fazer política partidária. Esse não é meu perfil. Sou mais da filosofia paz e amor. Foi assim que ajudei a todos que estiveram à frente do esporte de Americana, sem causa nenhuma inveja.

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Qual sua opinião sobre a transição do período totalmente amador para a fase profissional do esporte local, principalmente em relação à vinda de atletas de outras cidades?

Se isso não tivesse ocorrido, Americana estaria até hoje engatinhando e não teria tido essas inúmeras conquistas. Lembro que fui bastante criticado, nos anos 90, quando defendi a vinda do Monte Líbano (time de basquete masculino) para Americana, mas valeu a pena, pois a partir daí outras modalidades começaram a se reforçar. Houve crescimento técnico, mais motivação. Muitos se achavam donos do esporte de Americana e essa transição mostrou o quanto a cidade estava parada no tempo. Tudo mudou para melhor.

Qual a importância de lei de incentivo ao esporte neste processo de crescimento?

A lei foi decisiva para a evolução. Nenhuma dúvida quanto a isso. E continua sendo até hoje. Prova disso é que mesmo com essa fase terrível na economia do país, existem empresas investindo no esporte através da lei. A Skimoni e a São Lucas Saúde são exemplos através do apoio ao futebol e futsal.

Se você pudesse fazer um pedido ao prefeito, qual seria?

Esse não é o momento para fazer qualquer pedido. Espero que ele consiga colocar a casa em ordem e, a partir daí, tenha a sensibilidade que o esporte tanto necessita.

Zaramelo Jr. > O JOGO > 2015, 8 outubro