O JOGO

Thiago Martins é contra valor e destinação de taxa

Martins discorda do valor e entende que dinheiro tem que ir para esporte

Martins discorda do valor e entende que dinheiro tem que ir para esporte

Um dos políticos mais próximos e de maior acesso ao prefeito Omar Najar, o vereador Thiago Martins tem restrições ao projeto de lei que o chefe do Executivo encaminhou recentemente à Câmara de Americana instituindo a cobrança da taxa de R$ 5 a cada inscrição nas corridas de rua realizadas na cidade, com o valor a ser arrecadado neste tipo de eventos sendo revertido ao Fundo Social.

Martins disse ao O JOGO, no início da semana, que não é contra à cobrança da taxa. “Acho que tem que ter algum tipo de taxa, algum tipo de cobrança, alguma taxa de uso de solo, alguma coisa quando não tem uma contrapartida à prefeitura. Para usar um espaço público, como é feito com o teatro de arena, com o teatro municipal, como é feito com qualquer outro local, acredito que tem que ter uma taxa. Sobre a cobrança, não acho errado. Acredito que tem que ter uma contrapartida”, disse.

O vereador, no entanto, afirmou que não concorda com o valor de R$ 5 a cada inscrição estipulado por Omar no projeto que tramita pelo Poder Legislativo e deve ir à votação na segunda quinzena de setembro ou na primeira de outubro. “Sou contra estabelecer um  valor de R$ 5 porque tem vários tipos de corridas, vários tipos de valores de inscrição. Então vai cobrar R$ 5 de quem cobra R$ 50, R$ 70, R$ 150… e da corrida que cobra R$ 10, estaria cobrando os mesmos R$ 5? Desta forma, sou contrário. Acho que não pode ser cobrado um valor específico. Poderia ser cobrada uma porcentagem, discutir em cima de uma porcentagem, discutir em cima de algo que ficaria bom para todo mundo. Valor fixo, sou contrário”, afirmou.

DINHEIRO PARA O FUNDO

Quanto à destinação do valor arrecadado nas corridas de rua para o Fundo Social ao invés do esporte, Thiago Martins também posicionou-se contrário. Porém, antes de entrar na questão, o parlamentar, sem citar nomes, fez críticas ao secretariado de Omar Najar. “Brigo muito na Câmara no sentido de que a prefeitura é uma só. A Secretaria de Obras tem que andar com a de Meio Ambiente, que tem que andar com a de Esporte, que tem que andar com o Fundo Social, porque é uma coisa só. O governo do Omar não é ruim. O Omar é um administrador e bom prefeito, mas o secretariado é ruim demais. Ele tem muita gente ruim na volta dele. Ele tem muitos secretários que não acompanham ele, secretários que não conseguem administrar da maneira Omar. Infelizmente, tem secretários que ficam batendo cabeça, achando que a secretaria dele é algo à parte da prefeitura. Ele não joga com a prefeitura, joga contra a administração”, detonou.

Voltando à pergunta relacionada à destinação do dinheiro, o vereador finalizou: “Quando fala numa doação ligada ao esporte, uma doação de corrida, não vou entrar no mérito do trabalho da Maine (Najar, filha do prefeito e presidente do Fundo Social), porque é um trabalho bacana, acompanho, vejo, eles fazem um trabalho que tem que ser feito, porém, não acho certo pegar o dinheiro do esporte e mandar para o Fundo Social. É a mesma coisa de pegar o Fundo da Saúde, pegar o Fundo da Cultura e mandar para o Fundo Social. Está errado. Teria que ir (taxa das corridas de rua) para o Fundo do Esporte. Quando tiver algo ligado à área social, vai para o Fundo Social; ligado à saúde, vai para a Saúde; e ligado ao esporte, teoricamente vai para o Esporte. Essa é minha linha de pensamento, agora quem administra se chama Omar Najar. É o Executivo que manda, que está na frente, que põe a caneta até 31 de dezembro de 2020. Cabe ao vereador fiscalizar, estar perto e opinar.”

PREFEITURA DIZ NÃO TEMER QUE CORRIDAS DEIXEM DE SER REALIZADAS

Conforme matéria publicada na edição 773, semana passada, O JOGO fez questionamentos ao prefeito Omar Najar sobre o projeto de lei de sua autoria instituindo a cobrança de R$ 5 a cada inscrição para as corridas de rua em Americana. No início desta semana, a assessoria de imprensa encaminhou nota à redação com posicionamento da prefeitura a respeito dos pontos levantados pelo jornal. Eis a integra:

“Todos os setores/secretarias da Administração Pública têm enfrentado muitas dificuldades, inclusive o Fundo Social, que é um órgão destinado a auxiliar as famílias de baixa renda que se encontram com grandes dificuldades de suprir as necessidades mais simples de sobrevivência, como o da alimentação.  Existe um número assustador de pessoas acamadas que necessitam de alimentação enteral (alimentação por sonda), fraldas geriátricas, sem contar com mães que não têm como sustentar seus filhos recém-nascidos que necessitam de leite e fraldas. Casos críticos de pessoas que não têm como se locomover, enxergar, entre outros, por problemas de saúde gravíssimos.

Não é desconhecido de ninguém que o hospital do Estado que fornecia equipamentos ortopédicos não consegue atender a demanda. As pessoas ficam anos na fila de espera e esses equipamentos são fornecidos somente uma vez. Não podemos esquecer que as pessoas crescem, os equipamentos desgastam devido ao uso constante, sendo necessária a troca. O Estado não tem fornecido alimentação enteral e outros produtos há tempos; a chegada de inúmeros imigrantes, e o desemprego que assola o país, motivos que acabaram onerando muito os cofres públicos e aumentando a demanda de solicitações junto ao FS.

O esporte é de suma importância, sem dúvida alguma, mas no momento o atendimento à população em suas necessidades básicas se tornou prioridade, o que nos levou a procurar uma solução junto a esse nicho de eventos esportivos, para contemporizar a situação. Desde 2016 muitas têm sido as doações recebidas através das corridas: doações em produtos (alimentos não perecíveis, material de higiene e limpeza). Em 2017, doações em espécie e/ou pagamentos diretos a fornecedores.

Não existe por parte da PMA (prefeitura) receio que não aconteçam mais esses eventos esportivos na cidade, pois, de acordo com contatos feitos em outros municípios, existem corridas que chegam a custar muito mais que o valor pretendido de R$5,00 por inscrito. Sendo um valor determinado por número de inscritos do evento e não um valor fixo cobrado dos organizadores, colabora para que os mesmos não sejam prejudicados no caso de as inscrições do evento não superar as expectativas da organização.

Ou seja, um evento esportivo com 500 ou 10.000 participantes reverterá ao Fundo Social um valor proporcional ao de inscritos.

De acordo com informações recebidas da Secretaria de Esportes da cidade de Campinas, as corridas, maratonas, podem chegar ao valor aproximado de R$ 100.000,00, pois todo serviço de apoio (fechamento de ruas, agentes municipais, utilização de solo, publicidade em camisetas, colocação de tendas, publicidade em tendas, entre outros) são cobrados separadamente, independente dos números de inscritos. Os valores recebidos ficam nas autarquias, não sendo repassados ao esporte.

Outro exemplo, na cidade de Barretos, uma corrida com 500 participantes reverteu ao município o valor de R$ 10.000,00.

Quanto ao valor atualmente despendido pela PMA, depende do controle no entorno dos locais em que são necessárias alterações no trânsito e uma antecipação maior na disposição de agentes públicos para realizar a fiscalização no local, quando solicitado mediante ofício protocolado, de acordo com o Decreto Municipal nº 11897/2018.”