O JOGO
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Seleção nova com velhos erros de Tite

TESTEIRA_PLANETA BOLA

- Vimos uma convocação da seleção brasileira, na última semana, no mínimo, muito questionável. Manifesto minha indignação com o técnico Tite em muitos dos aspectos de sua lista pós-Copa.

tite adenor– Não queria cornetar o Tite, é verdade. Mas, ao contrário da maior parte da grande mídia, me resguardo ao direito de poder criticá-lo por seus – tantos – erros, ao invés de apenas endeusá-lo em prol de um subconsciente de êxtase coletivo.

– No gol, Alisson e Neto têm minhas ressalvas técnicas, mas com as quais me recolho, deito e calo tendo em vista que suas atuações por grandes equipes europeias os credenciam à meta da seleção mais vitoriosa do mundo. Entretanto, o último nome é uma daquelas aberrações que nos fazem questionar quem e quais os interesses envolvidos.

– Com todo o respeito ao menino Hugo, que será um grande goleiro – já o vi atuando na base e é muito técnico e de grande reflexo, apesar de inconsistente –, mas se sequer integra o elenco profissional de seu time, como pode ser o terceiro goleiro da seleção brasileira???

- E não me venham com os problemas de Ederson para justificar a ausência de qualquer outro nome. Fábio, do Cruzeiro; Victor, do Atlético-MG; Grohe, do Grêmio; Diego Alves, do Flamengo; Weverton, do Palmeiras; Vanderlei, do Santos; Cássio, do Corinthians, todos titulares de seus clubes e em fase muito regular, merecendo muito mais a chance que foi dada ao garoto. É o maior absurdo dentre todos que foram chamados!

– Prossigo para as laterais. Na direita, o grande acerto de chamar Fabinho é compensado pela insistência no erro de levar Fagner. É preciso o mínimo de discernimento para tanto. Militão vinha comendo a bola no São Paulo e foi deixado de lado, com o agravante de que chegará na próxima Copa no apogeu de sua forma física e futebolística.

- Na esquerda, Alex Sandro deve começar um novo reinado, mas eu preferia o ver acompanhado por Marcelo, que é craque, ou Jorge, que também chegará na Copa-22 em condições de jogo, ao invés de Filipe Luis, que é apenas regular e não jogará o próximo Mundial.

– Na zaga, os nomes de Dedé, Felipe e Marquinhos em muito me agradaram. A presença de Thiago Silva, que fez uma Copa excelente, é boa para esse período de transição, mas deve gradualmente ser suprida por Jemerson ou algum outro bom nome dessa nova geração que vem surgindo – vale salientar para que fiquem de olho em Lucas Veríssimo, do Santos, que deve se tornar um cracaço!

– A volância deve seguir com Casemiro, que sai da Copa em alta. Talvez como primeiro volante, a opção do nosso treinador seja Fred, do Manchester United, que prefiro ver em campo para analisar. Mais centralizado, é incompreensível como Renato Augusto segue sendo chamado. Se o cara já era veterano para essa Copa, imagina para a próxima!

- Em compensação, me agrada a chamada de Paquetá, Arthur e Andreas Pereira, ressaltando que para o lugar de Renato Augusto vejo opções excelentes em Luan, do Grêmio; Lucas Lima, do Palmeiras ou até mesmo em Douglas Luiz, ex-Vasco e atualmente no Manchester City.

– Como opções abertas, Coutinho, Douglas Costa e Neymar seguem unanimes. Eu não levaria Willian, de atuação pífia no último torneio internacional. Opções existem sobrando: Malcon, do Barcelona; David Neres, do Ajax e até mesmo, Éverton, do Grêmio – sendo que esse último foi convocado com todos os merecimentos.

– Na frente, nova indignação. Tite deixou claro que irá crucificar Gabriel Jesus pelo fracasso brasileiro na Copa. Convocou Roberto Firmino e Pedro, que, contundido, depois foi substituído por Richarlison.

– Não me entendam mal: Pedro e Firmino merecem muito a vaga, mas ele tinha opções para levar os três (incluindo Gabriel no chamado). Principalmente pelo jogador do City jogar tão bem pelos lados do campo, ou por Firmino ser oriundo do meio-campo e poder atuar armando o time.

- Sinceramente, para um técnico que prega gestão de pessoas, esse corte brutal do Menino Jesus mostra tremenda injustiça e total falta de blindagem de elenco. Tite acabou por, covardemente, culpar o rapaz, que tinha de marcar em seu esquema para Paulinho atacar e Neymar poder ficar preso aberto. É deprimente…

- Tomara que a seleção brasileira consiga embalar, faça mais um grande ciclo Copa (próximos 4 anos) e traga o hexa em 2022, mas para a singela e humilde opinião deste advogado, palmeirense fantasiado de colunista, Adenor começa com erros velhos uma seleção nova, e isso pode ser prejudicial, novamente, a nação que o suporta. Aguardemos…

Fraternal amplexo.

* RENAN BINOTTO ZARAMELO

Advogado e jornalista