O JOGO
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São Paulo de Aguirre é o destaque do Brasileirão

TESTEIRA_PLANETA BOLA

– É quase que chegada a hora final do 1º turno do Brasileirão e, para espanto de muitos desacreditados, após alguns anos temos o São Paulo como grande destaque.

– E muito – ou tudo – disso se deve a seu treinador. O uruguaio Diego Aguirre (foto) está longe de ser genial, mas colocou ordem na casa e com alguns conceitos simples tem feito um elenco limitado se transformar numa equipe poderosa e perigosa.

– Aguirre chegou contestado e indicado por Diego Lugano, ídolo tricolor e atualmente dirigente do futebol do clube. No começo de seu trabalho, o técnico viu uma equipe bagunçada e sem perspectiva, mas detectou o que muitos acreditavam: havia ali potencial.

diego aguirre– Como todo bom treinador, o uruguaio começou com o mais básico dos básicos: fechar a casinha. Montou uma defesa sólida com dois laterais de vigor físico – Militão, que foi para Portugal, e Reinaldo –, dois zagueiros firmes – Anderson Martins, que também auxilia na saída de jogo, e Arboleda – e, finalmente, dois volantes marcadores – Hudson e Jucilei.

– Ao meu ver, seu maior acerto foi abrir mão de um volante de saída – no caso, Petros, que também já foi embora –, pois as opções de seu elenco em nada contribuíam para o momento defensivo do time. Fechando a casa e deixando de sofrer gols – em que pese a ajuda que Sidão sempre busca dar –, o São Paulo começou a pontuar.

– Faltava o que faz a equipe viver um momento especial: criar perigo. Nessa condição, o time paulista buscou Éverton, do Flamengo, e Joao Rojas, do Talleres. Sem apostas, com garantia de ter dois pontas de velocidade, bom drible e engajamento defensivo.

- Rojas e Éverton incomodam, pois sempre buscam levar vantagem com a leveza e incomodar com vigor físico. Acompanham os laterais até o final da jogada e dão condições e desafogo com bolas longas para o fundo, onde podem criar situações perigosas com dribles ou cruzamentos.

– Montando um time com 8 dos 10 de linha auxiliando no momento defensivo, Aguirre conseguiu o que mais precisava: deixou Diego Souza e Nenê livres para flutuar e criar. Podemos falar o que for de ambos os jogadores, mas a sua qualidade deles não se discute. E tendo ambos espaço e liberdade, a equipe paulista se tornou perigosa e, mais do que isso, mortal.

– Longe de ser o futebol mais vistoso, o São Paulo consegue os resultados e não entrega nenhum ponto aos seus adversários. Marca ferozmente, utilizando de faltas táticas em áreas que não lhe levarão perigo e até mesmo de bolas longas para disputas aéreas ou na velocidade.

– Sabido de suas limitações, o São Paulo é líder com méritos, e hoje possui boas peças de reposição. Se isso irá perdurar até o final do 2º turno, é complicado prever, existem “n” variáveis que podem influenciar a ótima campanha.

– Se mantiver os pés no chão, o Tricolor do Morumbi pode sim almejar voos maiores, por mais contraditório que isso possa parecer. O futebol resultado de Aguirre é irritante aos adversários, como deve ser, e até mesmo desgostoso aos torcedores. Mas para esses pouco importa, o que vale são os três pontos na conta… Toda hora!

Fraternal amplexo.

RENAN BINOTTO ZARAMELO

Advogado e jornalista