O JOGO

Pré-candidato, Molina define esporte como pilar

Ricardo Molina é o atual presidente da Liga de Basquete Feminino

Ricardo Molina é o atual presidente da Liga de Basquete Feminino

O empresário Ricardo Molina Dias, nascido em Estrela D´Oeste e radicado em Americana há quase duas décadas, terá sua pré-candidatura a deputado federal lançada na próxima segunda-feira (14), em evento do PRB (Partido Republicano Brasileiro) programado para as 19 horas, no shopping Vic Center, em Santa Bárbara d´Oeste.

Ex-gestor do basquete feminino de Americana, que conquistou títulos em todos os níveis (regional, estadual, nacional e internacional), e presidente reeleito da LBF (Liga de Basquete Feminino), Molina tem ligação estreita com o esporte. E é justamente por essa relação que um dos pilares de sua campanha e, caso eleito, de seu mandato será o esporte.

O JOGO, que há 15 anos tem a linha editorial voltado ao jornalismo esportivo, conversou esta semana com Ricardo Molina para saber o que pode ser feito nesta combinação esporte-política. Confira os principais trechos da entrevista.

Por que você decidiu entrar na política?

Não é uma decisão tão simples quanto parece, principalmente para quem sequer tinha sido filiado a algum partido ou mesmo postulado outros cargos públicos. Porém, assim como a grande maioria, não vejo perspectiva de mudança ou mesmo transformação para aqueles que já tiveram essa oportunidade. Os anos se passaram e a política não. Continua a mesma, sem renovação. Sabemos a descrença que vivemos na política e sei que minha decisão poderá representar o desejo de mudança de muitas pessoas.   

Por sua ligação com o esporte, principalmente o basquete, pode-se dizer que será um dos seus pilares?

O meu respeito e o meu incentivo ao esporte não vêm por atuar diretamente nele e sim pela base de vida que tive desde criança. Muito do que conquistei em minha vida foi através do esporte. Acredito plenamente que o esporte é um agente de mudança que influencia diretamente a vida das pessoas e das novas gerações.

O que um deputado federal pode fazer especificamente pelo esporte?

Muita coisa. Uma delas, entre outras, é fiscalizar as instituições que atualmente têm como objetivo fomentar o esporte em todos os níveis e que atuam com recurso público. Para aquelas que estão atuando com excelência, o objetivo é multiplicar como modelo. Isso significa respeitar e multiplicar o que funciona. Outra é apresentar leis que possam beneficiar a inclusão social através do esporte, como, por exemplo, que todas modalidades de alto rendimento tenham a responsabilidade de atuar de forma social na comunidade em que estejam inseridas. Outra proposta é que tenhamos novamente maior inserção do esporte nas escolas através da grade curricular, que foi reduzida ao longo do tempo. Além disso, desburocratizar e adequar as leis de incentivos vigentes. Também utilizar da influência do mandato para incentivar e mobilizar a iniciativa privada para que valorize o esporte demonstrando a sua importância.

Em quais aspectos sua experiência na gestão do esporte pode ser útil na política?

A experiência como gestor é sempre benéfica em todas as áreas desde que baseada em princípios, valores e ética. Gestão, em  qualquer âmbito, tem suas dificuldades. Também creio que, com nossa experiência em gestão, saberemos enfrentar as dificuldades e superar os obstáculos políticos que emperram uma gestão eficiente.

Qual a garantia que você dá aos esportistas de que será um defensor do esporte se for eleito?

Ninguém mais confia em um postulante a qualquer cargo político com a expectativa de que ele possa fazer. Essa talvez seja a grande decepção de todos nós. A melhor garantia que dou é de tudo que já fiz e faço pelo esporte na esfera que hoje me encontro. Meu objetivo é elevar minha condição de contribuir pelo esporte.

De modo geral, o eleitor está cada vez mais descrente em relação aos políticos. Como você vê essa situação?

Como todos temos visto até agora, cada vez pior. São muito poucos os respiros de esperança que temos vivenciado na política. A situação é gravíssima e não temos mais o tempo a nosso favor. Como está, não irá melhorar. Se não tivermos a coragem de, em outubro, se valer do modo mais precioso de sermos democráticos, que é o voto, talvez daqui a quatro anos nem a condição decidir estará em nossas mãos. Voto é uma decisão muito séria e não dá mais para fugirmos dessa realidade.

Sua ligação com o basquete é muito explícita. Você acha que isso pode prejudicar sua imagem junto a outras modalidades?

De forma alguma. Gosto e respeito todas modalidades. Problemas e soluções não existem só no basquete. Existem em todas. Estamos todos no mesmo barco. Está existindo por parte da maioria dos governantes uma inversão de valores quanto ao investimento na área esportiva. Ao mesmo tempo em que o percentual de investimento ao esporte fundamental, que gera inclusão, transformação e desenvolvimento, é menor, gasta-se fábulas em eventos espetaculosos como Olimpíadas e Copa do Mundo com outros interesses. E para justificar-se pelos erros de direção, reduzem investimento em todas modalidades, prejudicando indiretamente outras áreas como saúde e educação.