O JOGO

Por Dioguito, amigos escalam o Huayna Potosí

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O empresário e triatleta Diogo Cia Faria, o Dioguito, morto em julho do ano passado em acidente na Rodovia dos Bandeirantes, em Limeira, quando andava de bicicleta com o professor Márco Beckis, que também faleceu no local – os dois foram atropelados no acostamento por um carro -, recebeu mais uma homenagem. Desta vez, a iniciativa foi de quatro amigos: o educador físico e professor de jiu-jitsu Daniel Cruz, o advogado Demétrio Orfali Filho, o bombeiro Leonardo Brancalhão e o engenheiro civil Ricardo Whitehead de Campos.

Num tributo à memória de Dioguito, os quatro escalaram o Huayna Potosí, na Bolívia, que tem 6.088m de altitude. A aventura aconteceu no mês passado, exatamente um ano após o falecimento do empresário e triatleta de Americana. Em especial para O Jogo, o grupo escreveu um relato completo. Confira!

“Em agosto de 2017, após perdermos nosso amigo Diogo Cia em um  acidente de bike, resolvemos fazer pequena “expedição” até o Pico dos Marins, em Piquete. Este pico foi escolhido pois estava nos planos de todos, inclusive do próprio Dioguito, ir até lá. Então, fizemos isso para homenageá-lo.

Após essa viagem, surgiu a idéia de fazer algo maior e mais desafiador, já que todos os integrantes (10 colegas) eram atletas e alguns possuíam experiências em montanhas, como Pico da Bandeira, Agulhas Negras, Pedra da Mina, Monte Roraima, Salkantay (Peru), entre outras. O objetivo decidido pelo grupo foi subir o Huayna Potosí, na Bolívia.

Essa montanha seria bastante desafiadora por se encontrar a 6.088 metros de altitude e se enquadrar no que é chamado no meio do montanhismo de Alta Montanha (acima de 5000 metros de altitude). Uma vez que nenhum de nós tinha experiência nesse tipo de montanha, já que no Brasil o pico mais alto (Pico da Neblina) se encontra a apenas 2998 metros, seria um grande desafio a todos.

No entanto, no decorrer da preparação alguns de nossos amigos, por motivos diversos, não puderam ir. Acabamos indo em quatro. Foram 10 meses de preparação, planejamento, sendo necessário a aquisição de alguns equipamentos e, claro, muito preparo físico. Embarcamos no dia 5 de julho com destino a La Paz.

Nossa viagem durou 14 dias. Sabíamos dos efeitos da altitude, já que La Paz se encontra a 3.640 metros. Lá permanecemos dois dias para iniciar o processo de aclimatação. No terceiro dia, subimos para o Pico do Chacaltaya (5.350 metros), onde se localizava uma antiga estação de esqui desativada.

No dia dia seguinte, subimos para o Pico Áustria, a 5.450 metros. Esse foi nosso primeiro grande teste, já que a caminhada até o cume possui ganho de altitude de mais de 1000 metros, por um percurso de aproximadamente 6 km em meio a paisagens magníficas, como lagunas formadas de água de degelo e a exuberante vista do Condoriri (5.700 metros), por exemplo.

Caminhamos por trilhas de pedra, neve, gelo e muita, mas muita subida. Até o cume, foram quase seis horas de caminhada. Chegamos ao cume bastante cansados. A descida foi menos sofrida e por um trajeto de 5 km, em mais ou menos 1h40. No dia seguinte, continuando o processo de aclimatação, fizemos o passeio de bike na estrada da morte (Death Road), onde, durante 3h30, saímos de 4.700 metros de altitude e descemos para 1.200 metros. O passeio é realmente maravilhoso e insano! 

No dia 11, uma quarta-feira, finalmente partimos para o nosso desafio principal, o Huayna Potosí. Chegamos ao acampamento base,  localizado a 4.700 metros de altitude, por volta do meio-dia. Na parte da tarde, fizemos o curso de escalada no gelo, no qual se aprende a fazer uso dos equipamentos para caminhada e ascenção no gelo, tais como crampons, cadeirinhas de proteção, piolets, e também se adaptar às roupas próprias para baixas temperaturas.

No dia 12, subimos para o acampamento alto, a 5.200 metros de altitude. Lá, descansamos até a meia-noite e pontualmente a 1 hora da madrugada começamos o ataque ao cume (pico da montanha). Foram formados dois grupos: Daniel e Demétrio, com o guia Ramiro, e Leonardo e Ricardo, com o guia Théo. A ascensão foi muito dura. A baixa temperatura (-12ºC no termômetro, sem contar a sensação térmica),  muito vento, inclinação do terreno (acima de 45º), altitude e principalmente a falta de “sensibilidade” do guia Ramiro, tudo isso  fez o ataque ser bastante exaustivo.

Muitas passadas depois e após seis horas de um árduo trekking subindo pelas neves da Cordilheira dos Andes, finalmente nosso grupo conquistou o desejado cume e, um ano após a inesperada partida do nosso amigo Dioguito, ficamos muito felizes em conseguir homenageá-lo levando conosco sua imagem em um banner, carregando (até nos momentos mais difíceis) o seu bom humor e as  boas lembranças em nossas memórias…

A montanha e a altitude impuseram respeito ao nosso grupo. Testamos nossos limites na neve. Devido a diferença de ritmo dos dois guias,  nossas duplas chegaram ao cume com diferença de tempo, impossibilitando uma foto do nosso grupo completo com a  imagem do Dioguito, mas temos a certeza que ele sabe da nossa intenção e, onde estiver, está feliz conosco como sempre foi… este parceiro deixa saudades, mas esteve e sempre estará presente em nossas aventuras… 

A descida se deu não mais do que em cinco minutos após atingirmos o nosso objetivo, contando então com o raios de sol para clarear nosso caminho e nos esquentar, proporcionando imagens  que sempre estarão em nossas memórias.

Nossa ideia era descansar e fazermos na mesma “trip” o cume do imponente Illimani, montanha que é cartão postal de La Paz e possui 6.462 metros de altitude. Porém, o grupo se encontrava bastante cansado e decidimos por abortar esse “gigante” e o deixarmos para uma próxima vez. 

Seguimos nossa viagem para o Salar de Uyuni, no deserto de sal, mas essa é uma outra história. O que importa é que a viagem correu dentro do planejado, trazendo experiências incríveis, “perrengues”, superação, risadas e muitas histórias pra contar.”