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Planeta Bola: o VAR e a arbitragem brasileira

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– Galera, peço desculpas, mas precisamos reservar um pequeno tempo para colocarmos em pauta o VAR, essa maravilhosa ferramenta que vem sendo, sucessivamente, execrada pela mídia desportiva e por todas torcidas nacionais – sem exceção.

– Sim, maravilhosa ferramenta, afinal, quando bem utilizado – o que não vem ocorrendo – o VAR tem o condão de minimizar absurdamente as falhas e injustiças, dando ao futebol uma cara de esporte correto, destituindo os malandros e premiando os bons times.

– O problema, pessoal, não é o VAR, mas sim quem o manuseia que, salvo raríssimas exceções, no Brasil são pessoas completamente despreparadas e sem o foco que a ferramenta exige.

– Não os julgo, os árbitros fazem o que podem diante de suas severas limitações. Imaginem vocês trabalhando 8 horas por dia – quando não 10 –, na esmagadora maioria das vezes como autônomos, terminando a desgastante jornada e partindo para uma viagem de, no mínimo, uma hora e meia de carro rumo a São Paulo para apitar um Choque-Rei – como o da última quarta-feira.

– Ou, pior, você tendo toda essa rotina para ir ao Allianz Parque ficar como árbitro de vídeo, é impossível que se cobre a precisão e atenção necessárias desses caras, é desumano que se cobre uma atitude absolutamente profissional de árbitros, auxiliares e árbitros de vídeo que, em bem da verdade, são tratados como amadores pelo órgão regulador (CBF).

VAR

– É evidente que na Inglaterra o VAR funcionará perfeitamente, ao contrário do Brasil: lá os árbitros são profissionais, possuem rotina de treinamentos e atualizações e são remunerados mensalmente, como qualquer trabalhador brasileiro, como os árbitros nacionais recebem de seus empregos – de verdade.

– Aqui temos árbitros que são professores de educação física, contabilistas, advogados, agentes de viagem – um enorme abraço ao grande amigo e ex-árbitro Mauricio Fioretti –, entre tantas outras corriqueiras profissões, não possuindo dedicação integral, não possuindo, sequer, dedicação parcial.

– A arbitragem nacional é tratada por quem vende e comanda o esporte como um hobby e, assim sendo, não merece a esculhambação pública que tem sofrido nos últimos tempos, bem como a confusão de que o VAR é uma ferramenta ruim, que está acabando com o esporte.

– Não me entendam mal, eu também me irrito com os corriqueiros erros, porém, o VAR é a solução de inúmeros problemas, mas existem tantos outros – e ainda mais graves – que seguem sem ser solucionados, como o caso do amadorismo dos operadores da arbitragem nacional, e, sinceramente, não vejo o Sr.Gaciba se manifestando quanto a temerário problema.

– Enquanto quem deveria se importar em fazer um campeonato mais justo e correto segue arrumando amistosos para a nossa seleção contra ridículos times, enquanto quem comanda a arbitragem se importa mais em dar entrevistas coletivas após a rodada ratificando os visíveis erros de seus despreparados comandados, continuaremos vendo a mídia e os torcedores, a alma do esporte, execrando os corriqueiros erros que desanimam, cada dia mais, de assistir ao Campeonato Brasileiro.

– Enquanto a arbitragem nacional segue à míngua,” escanteada” como um mero hobby para seus operadores, enquanto não se profissionalizam nossos árbitros, seguiremos vendo erros atrás de erros, como os duvidosos pênaltis sobre Deyverson contra o Avai, ou aquele não marcado no Guerrero contra o Flamengo, ou aquele ignorado do Volpi contra o Ceará, ou aquele…

Fraternal amplexo!

RENAN BINOTTO ZARAMELO

ADVOGADO E JORNALISTA