O JOGO

Papo com o Zara

papo com o zara

Em vigor desde janeiro de 1996, ou seja, há 18 anos e sete meses, a lei de incentivo fiscal ao esporte nunca teve problemas de repasse do dinheiro às modalidades.

O privilégio é da administração do prefeito Diego De Nadai. Justo ele, que foi integrante da equipe de natação de Americana, sempre se declarou esportista nato e afirmou, ao assumir o Poder Executivo, que queria ver o esporte local como referência.

Do jeito que a situação está hoje, é preciso usar o retrovisor para ver algo…

O repasse não é nenhum favor que a prefeitura faz às modalidades. Nenhum!

É apenas a aplicação da lei.

Lei é para ser cumprida. Ou não, como nos últimos cinco meses por aqui…

As empresas pagaram o imposto e destinaram percentual ao esporte, mas a prefeitura ficou com a grana.

“Ah, mas parágrafo tal, do artigo tal…” Sem essa!

Durante 218 meses o texto foi rigorosamente seguido e obedecido.

A partir de abril deste ano a coisa degringolou.

Importante salientar que não é a prefeitura quem corre atrás das “empresas doadoras”.

São as próprias equipes que, embasadas e motivadas pela lei, saem a campo em busca do apoio da iniciativa privada.

É verdade que a lei 2945 precisa de alguns ajustes, mas não existe nenhuma dúvida – se existe é só na cabeça daqueles que ou não sabem absolutamente nada sobre tal ou são da política do “quanto pior, melhor” – que sua aplicação é essencial para que o esporte americanense seja forte.

* * * * *

A lei de incentivo ao esporte foi sancionada no dia 14 de dezembro de 1995 pelo então prefeito de Americana, Frederico Polo Muller.

Na época, não havia Secretaria de Esportes. Era o Decet (Departamento de Cultura, Esportes e Turismo). O diretor da área de esportes era Mario Antonucci.

Quis o destino que na maior crise financeira do esporte de Americana o secretário fosse o mesmo Mario Antonucci.

Um dos responsáveis pela criação da lei foi vítima do não cumprimento da mesma.

É bom dizer aos leigos que não foi Antonucci quem deixou de repassar a verba às modalidades.

O dinheiro não fica no cofre do Jardim da Colina, onde está a Secretaria de Esportes. Fica na Avenida Brasil, onde está o Paço Municipal.

O dinheiro entrou no Paço, mas não chegou na Secretaria.

* * * * *

Nos ajustes políticos para garantir a governabilidade em seu retorno à prefeitura, Diego De Nadai tirou Mario Antonucci da Secretaria de Esportes e o levou para a chefia de Gabinete, numa sala anexa à sua.

Antonucci saiu do epicentro do terremoto que abala as estruturas do esporte americanense.

Em seu lugar entrou Odair Dias, campeoníssimo como atleta de karatê, vereador de boa votação, político com jogo de cintura…

Assim que assumiu, Odair anunciou algumas medidas. Uma delas foi suspender a aplicação da lei de incentivo até dezembro. Medida boa para o cofre da prefeitura, mas péssima para o esporte.

Como forma de compensação, Odair comprometeu-se pagar os meses que estão atrasados.

Assumiu o compromisso porque alguém na Avenida Brasil prometeu que haverá dinheiro para tanto.

Se a promessa a Odair for cumprida, ele, como diria o narrador Milton Leite, “vai se consagrar!”

Se for feito com Odair o mesmo que foi feito com Antonucci, será com ele como capitão que o Titanic do esporte de Americana irá definitivamente para o fundo do mar…