O JOGO
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Nível da arbitragem brasileira está insuportável

TESTEIRA_PLANETA BOLA

– Voltou o Brasileirão, e, de verdade: que saudades da Copa do Mundo!

– É sério! Pode parecer saudosismo e coisa do tipo, mas vou explicar para vocês, meus amigos e leitores assíduos: não consigo mais suportar o pífio nível da arbitragem brasileira.

– Não é nem tanto pelos erros corriqueiros com a bola rolando, aqueles lances de bola-na-mão ou mão-na-bola, aquelas faltinhas para ficar prendendo o jogo no meio-de-campo e não se comprometer com a bola rolando. O que mais tem me indignado e é o “falso rigor” com a coisa mais bonita do futebol.

– Como muitos sabem, sou palmeirense – e não há razão para esconder. A Copa acabou e o Alviverde enfrentou a equipe do Santos no Pacaembu com torcida única (santista). Lucas Lima amplamente vaiado e xingado pelos torcedores santistas. Confesso que até acho que de forma merecida.

– Começo de jogo, Willian Bigode dribla para o meio, encontra Lucas Lima sozinho. O meia domina, gira e põe no cantinho. Sai em direção à bandeira de escanteio comemorando, mostra o número da camisa como aquele “falem agora” que tanto gostamos…

– O resultado é absurdo: cartão amarelo para o meia palmeirense sob a justificativa que foi comemorar com a torcida adversária. Ocorre que, não sei se vocês se recordam do que citei há pouco, o jogo era com torcida única!

– Qualquer que fosse a comemoração de qualquer que fosse o jogador palmeirense seria com a torcida do Santos! Bingo! No Direito, os mais estudiosos chamariam de “catchanga real”!

– A gente sabe que houve um pouco de provocação, mas o que é o futebol sem isso? Do que serve o jogo se no dia seguinte eu não puder tirar uma casquinha do Dr. João Marcelo, que senta ao meu lado, ou do Dr. Raphinha, que senta à minha frente?

moisés com cajado– Vamos lá! A gente engole e segue o jogo. Domingo, Allianz Parque pulsando para Palmeiras x Atlético-MG. Começo de jogo e uma falha bisonha de Juninho deixa Moisés na boa para marcar o primeiro. O centro-campista, que tem o nome bíblico ligado ao personagem que abriu o Mar Vermelho com um cajado, pega o tripé do fotógrafo do clube, “combina” com a torcida a abertura do mar verde e finca o “cajado” na grama.

– A cena é muito bacana e não tem nada da provocação. Mas, esperem, o árbitro deu amarelo para Moisés por comemorar o gol. A justificativa na súmula é de “retardar” o início do jogo. O mesmo árbitro que não puniu Matheus Galdezani antes da falta cobrada com maestria por Bruno Henrique quando o volante fazia cera na entrada da área.

– Você não é médico, como sabe que era cera? Simples. Ao final do jogo, o volante que passou pelas categorias de base do Rio Branco foi correndo exaltado na direção do trio de arbitragem para reclamar de falta – bem – marcada a favor do Alviverde de Palestra. Ai, o senhor do apito não foi omisso, expulsou o atleticano,  que saiu de campo revoltado.

– A nossa arbitragem amadora estraga, ainda mais, o baixo nível do futebol que é jogado por aqui. É excesso de rigor com as comemorações que me parece que o correto é o futebol ser chato! Agora é essa a moda: quem bate e faz cera, fica em campo; quem comemora o objetivo principal do jogo, é punido.

– Não quero soar pessimista, mas me parece que a inversão de valores que vemos em tantas áreas da sociedade chegou em nosso futebol pelas mãos da  CBF e da péssima comissão de arbitragem da entidade. Corram pras Colinas, o fim está próximo…

Fraternal amplexo!

 RENAN BINOTTO ZARAMELO é jornalista e advogado