O JOGO

Estudante vai mostrar a história do Vasquinho

Uma das formações do Vasco na década de 60: imagem faz parte do trabalho

Uma das formações do Vasco na década de 60: imagem faz parte do trabalho

O projeto “Esporte Clube Vasco da Gama – Um traço de união paulista-carioca” visa resgatar toda a história do saudoso Vasquinho da Conserva. O trabalho é do historiador e estudante de jornalismo Gabriel Pitor Oliveira, de 19 anos. De acordo com ele, tudo será revelado: quem mais jogou, quem mais fez gols, fichas técnicas, resultados históricos, curiosidades… “Este é um trabalho que os grandes clubes do Brasil possuem e que o Vasco da Gama irá ganhar com a ajuda de pessoas que guardam o Dragão na memória com muito carinho por suas páginas heroicas”, afirmou.

Pitor contou que dentro do projeto há almanaque e livro para contar a história do Vasquinho. “Ainda está sendo estudado se realmente serão feitos separadamente um almanaque e um livro ou se irei juntar os dois conteúdos em apenas um material. Além disso, um documentário será preparado com personagens da história do Vasco. Também será possível fazer um kit, ou seja, o livro/almanaque, o documentário e alguns produtos do Vasco que iremos fazer em parceria com empresas – como a reedição da camisa de 58 do Vasquinho (a camisa clássica) e canecas, bottons e chaveiros”, revelou o estudante.

Tudo isso, segundo ele, como forma de homenagem aos que lutaram por 29 anos para que o Vasco da Gama e seu sucessor Americana Esporte Clube [AEC] se tornassem times vitoriosos e que levaram o nome da Princesa Tecelã. O estudante de jornalismo citou que o Vasquinho foi fundado, em 1950, como time do bairro da Conserva simplesmente para rivalizar com o Flamengo da Vila Gallo. “O cruzmaltino cresceu tanto que acabou se tornando o principal time da cidade e um dos principais da região”, afirmou.

Ao O Jogo, Gabriel Pitor Oliveira deu detalhes sobre seu projeto.

IDEIA

Sempre fui muito curioso. Depois que comecei a pesquisar do Rio Branco, despertou a minha curiosidade em pesquisar o Vasquinho. Muitos falavam do título de 1968 do Vasco, então para mim era um time que merecia maior destaque, merecia ter a sua história preservada. Foi então que comecei a pesquisar e, atualmente, me considero um apaixonado pelo Vasquinho, mesmo sem ter assistido a um jogo dele. Hoje, vendo o trabalho que o Claudio Gioria [jornalista] faz com a história do Rio Branco, resolvi me inspirar e fazer algo semelhante com o Vasco – inclusive utilizamos as mesmas vertentes de pesquisa e trocamos informações. O Dragão, como era conhecido, foi um time muito valente, com vitórias a serem destacadas. Nada mais justo do que relembrar.

ENTREVISTADOS

Muitas pessoas já foram ouvidas e outras ainda serão. O Fred Smania, ex-preparador físico do Rio Branco e campeão com o Vasquinho em 1968, tem me ajudado muito e me levado para conhecer alguns personagens do cruzmaltino. Ele tem sido fantástico comigo. Se não fosse ele, teria muito mais dificuldade e talvez nem faria metade do trabalho que está sendo feito. O Fred ama o Vasco de Americana.  Já entrevistei o Tiguera (David Tunussi) – aliás, foram três visitas e uma hora de entrevistas que não foram definitivas, porque ainda teremos o documentário. Já conversei por telefone com o senhor Lucídio Camargo, técnico campeão de 68. Conversei também com o Armindo Borelli que participou do primeiro time na década de 50. O Jota Júnior jogou no Vasco e tive rápida conversa com ele. O Geraldo Miante também tive conversa rápida. E ainda tem gente que estou para visitar: o Robertinho, da década de 50; o Nenê, goleiro de 68 a 71; o Romualdo, zagueiro; o Quebra, ex-massagistao do clube; o Nã, técnico; o Zé Pulga, técnico. Tem muita gente.

Gabriel Pitor [em pé] é o responsável pelo projeto

Gabriel Pitor [em pé] é o responsável pelo projeto

OBJETIVO

Revelar a história do Vasquinho e todos os seus personagens. Foi muito suor derramado para, em 1979, o Vasco/AEC entregarem praticamente de bandeja para o Rio Branco a vaga na Segunda Divisão. Então, todas essas pessoas merecem serem lembradas pelo o que fizeram para o esporte local.

CONCLUSÃO

Não tem previsão. Gostaria muito de terminar isso em um prazo de dois anos, talvez até mesmo para fazer como um TCC [Trabalho de Conclusão de Curso] da universidade na qual faço jornalismo [Unesp Bauru). Mas história é algo que nunca termina, sempre temos alguma novidade. Então, tem muita coisa a ser revelada ainda, muito material a ser encontrado, o Vasquinho não tinha grande cobertura da imprensa, então, diante de todas as dificuldades, não tem como dar um prazo para a conclusão. O Claudio, por exemplo, da pesquisa até a viabilização do projeto dele do Rio Branco, demorou quase 15 anos. Espero demorar bem menos do que isso, mas não tem como dar um prazo.

DIFICULDADES

Primeiro, há uma dificuldade de cobertura. O Vasco tinha cobertura falha da imprensa de Americana. Na época, havia apenas um jornal – O Liberal -, que não circula com a mesma frequência de hoje. As rádios daquele período morreram, então estou tendo muita dificuldade para encontrar áudios do clube. Tenho certeza de que a planilha que tenho aqui com os jogos do Vasco não possui todas as partidas feitas pelo Dragão, muito por conta da cobertura falha. Ainda não comecei a garimpar possíveis vídeos que podem existir. E acho que a principal dificuldade hoje é a disponibilidade da minha parte. Moro em Bauru por conta da faculdade e tenho aparecido em Americana em raras oportunidades – sendo essas as únicas que tenho para desenvolver o trabalho. Se eu morasse na cidade, com certeza o trabalho estaria muito mais adiantado.

O QUE TEM

Já foram encontrados quase 800 jogos do Vasco da Gama desde 1950, sendo quase 650 fichas técnicas. As que não foram encontradas, já entrei em contato com bibliotecas de todo o estado e estão colaborando para que eu possa completar. Também já foram gravadas duas horas de relatos, de acontecimentos, de histórias que estarão no livro. Estes relatos são áudios e não vídeos, até por isso o documentário não teve as suas gravações iniciadas. Foi encontrada a letra do hino do Vasco – vejo isso como uma raridade – e estou bem próximo de encontrar a verdadeira data de fundação do cruzmaltino, algo que nunca foi encontrado e sempre perpetuado com a data incorreta. Também encontrei uma foto do Victório Scuro, que leva o nome do estádio, bem como o jogo inaugural do campo do Vasco. Iniciei as biografias de todos os personagens que vestiram ou trabalharam no Vasco/AEC. No total, são quase 20 biografias já resgatadas. São mais de 50 jogadores com seus rostos encontrados. E, também, são 32 fotos já digitalizadas de Vasco e AEC com as devidas identificações dos atletas, mas mas nem todas completas.

AJUDA

Quem tiver fotos, registros, qualquer coisa relacionada ao Vasco da Gama e ao Americana EC, pode entrar em contato comigo pelo e-mail gabrielpitor@gmail.com, pelo Facebook “Gabriel Pitor Oliveira”, pelo Twitter “@GabrielPitor” ou pela página do “Acervo – Rio Branco Esporte Clube”. Será de enorme valia e os créditos serão devidamente dados no livro/almanaque.