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Check-in Esportivo: Maratona para todos…

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Hoje quem fala sobre o tema é o especialista em Bioquímica do Exercício, Fisiologia, Treinamento e Nutrição, Marco Aurélio Scomparin. Confira!

maratona pecchio“Para quem deseja correr a tão almejada maratona, é crucial ter uma preparação física impecável para não comprometer a saúde com o esforço necessário para uma corrida tão longa. Um “produto” infeliz do aumento no interesse das corridas tem sido o aumento das lesões relacionadas a esta atividade. E não serão apenas os treinos para ganhar força, perder peso, adquirir resistência, seja muscular ou pulmonar, que minimizarão os riscos relacionados. Serão treinos realizados para mudar a fisiologia ou o funcionamento do seu corpo durante uma corrida. E isto requererá tempo, muito tempo.

Vamos pensar nos músculos num primeiro instante. Nascemos com basicamente dois tipos de fibras musculares: as que geram potência e as que geram resistência à fadiga, cada uma na sua devida proporção genética. Durante o período de preparação para uma maratona é preciso mudar toda uma condição muscular, desenvolvendo as fibras que geram mais resistência em relação as que produzem potência. E somente esta relevante mudança pode levar anos.

Em segundo lugar, precisaremos adaptar o sistema que nutre estes músculos – ou seja, a maneira como a energia é transportada até eles. Para isso, lembremos que existem três fontes principais de energia: carboidratos, proteínas e gorduras, que são consumidas nesta ordem, sendo a primeira esgotada rapidamente, e a última, mais lentamente.

Na Maratona não é possível depender apenas de carboidratos e proteínas. Para isso, nos treinos precisamos desenvolver um mecanismo onde a gordura é mais rapidamente recrutada para servir de fonte energética aos músculos. Já que estamos falando de nutrientes, cuidado com sua hidratação: durante uma maratona podemos perder até 6 litros de água através do suor.

E o coração? O órgão trabalha acelerado, no limite. Existem diversos estudos que mostram uma alteração no tamanho dele em maratonistas, inclusive nos atletas amadores. Isto ocorre por uma demanda muito maior de sangue para os músculos das pernas, por longos períodos, muitas vezes acima de 4 horas. Em condições normais o coração bombeia de 4 a 6 litros de sangue por minuto, quase a totalidade que possuímos em nossa fisiologia; durante uma maratona, essa quantidade aumenta, girando em torno de 15 a 20 litros.

E os pulmões? Eles não aumentam como o coração, mas também se adaptam para melhorar nosso rendimento. Melhoram os mecanismos de expansão e captação de ar, fazendo com que aproveitemos a maior área pulmonar possível, colocando uma dose maior de oxigênio no sangue bombeado pelo coração.

Finalizando, não podemos deixar de lembrar do aprendizado mecânico. É um termo usado para resumir tudo que o corpo aprende ao longo dos treinos. A quantidade de força para cada passo, os músculos usados e a ordem de contração deles, a amplitude de cada articulação, a direção e sentido dos movimentos de pernas, tronco e braços, a associação com a respiração e o automatismo disso tudo, para que durante a prova você não gaste energia pensando em como deve se movimentar. ”

Na próxima semana continuaremos com o educador físico Marco Aurélio Scomparin.

Até lá!