O JOGO

Amigos encaram aventura de mais de 600 km no Nordeste

Grupo de amigos de  reunido na Praia do Forte, litoral da Bahia

Grupo de amigos de reunido na Praia do Forte, litoral da Bahia

Para reforçar a amizade de longa data, um grupo com sete americanenses apaixonados pelo ciclismo percorreu mais de 600 km durante 10 dias no último mês. Foi a sexta edição da viagem. O circuito escolhido não poderia ser melhor: de Salvador (BA) a Maceió (AL).  Os atletas amadores Francisco Laerte Santichio, Fernando Simões, Celso Luchiari, Paulo Andrade, Marcos Lara, Sergio Marcandali e Marcos Frederico têm entre 48 e 64 anos e são atraídos pelo desafio de trilhas desconhecidas.

O cansaço, alguns imprevistos e o calor atrapalham, mas não são motivos para perder o foco, que é passar por todos os pontos traçados para a aventura. Prevalecem a experiência e o entrosamento da equipe. E quem faz a pesquisa dos melhores locais para o pedal é o dentista Fernando Simões. Desde 2009, data da primeira expedição, Simões analisa com tranquilidade cada ponto por onde o grupo irá passar.

No primeiro passeio, eles foram de Porto Seguro até Salvador, na Bahia. Em 2010, pedalaram de Salvador (BA) até Recife (PE). No ano seguinte, partiram de Recife (PE) e chegaram a Fortaleza (CE). Já em 2012, o circuito ficou entre Fortaleza (CE) e São Luís (MA). Ano passado, Simões sugeriu sair de Vitória (ES) e seguir até Porto Seguro (BA). Desta forma, o grupo fechou o circuito que pedalou por quase todo o litoral nordestino.

Praia Ponta dos Mangues, em Alagoas, foi um dos locais visitados

Praia Ponta dos Mangues, em Alagoas, foi um dos locais visitados

Nos últimos cinco anos, os amigos já circularam com suas bikes por paisagens incríveis e muito famosas do litoral do nordeste brasileiro, como Arraial d’Ajuda, Itacaré, Morro de São Paulo, Maragogi, Praia da Pipa, Jericoacoara e até os Lençóis Maranhenses.

Segundo Simões, apesar do planejamento, alguns fatores podem contribuir para dificuldades na viagem. Além disso, o esforço físico também chega a causar eventuais problemas de saúde como diarréia e vômito, mas que são superados pelos atletas. “Já pegamos muita chuva durante alguns dias, o que atrasou a viagem, alguns já caíram em buracos porque quando há algum atraso é necessário pedalar à noite sem muita visão, e também tem o fator que as bikes quebram e temos que providenciar os reparos. Mas, apesar de tudo isso, o importante é que a amizade faz com que os problemas sejam minimizados e tudo se resolva bem”, destacou.

Sem carro de apoio para acompanhar o grupo e com pouca bagagem, apenas o básico para suprir as necessidades diárias, os bikers precisam ter jogo de cintura para situações adversas como conseguir um barco para uma travessia.

“Tudo vale muito a pena”, garante o empresário Laerte Santichio

“Tudo vale muito a pena”, garante o empresário Laerte Santichio

Santichio ressalta superação de limites

Para o empresário Francisco Laerte Santichio, a aventura trata-se de uma superação de limites, uma vez que a satisfação só acontece com o objetivo atingido. “A previsão  é sempre pedalar uma média de seis horas por dia, o que equivale a proximadamente 90 km. No entanto, às  vezes erramos o caminho, aí temos que voltar e retomar a rota planejada. Já chegamos a pedalar 160 km, durante 12 horas, em um único dia. É difícil e precisa ter força de vontade, mas tudo isso vale muito a pena pelos lugares por onde passamos”, disse Santichio.

E claro que alguns fatos mais inesperados também marcam a viagem do grupo. “Desta última vez, o Celso se perdeu. Ele sempre anda na frente de todo mundo, é mais adiantado. Só que chegamos num ponto que a maré estava subindo e o grupo achou melhor não atravessar, tinha muito morro e pedras. Mas, quando vimos o Celso já tinha passado. Mas daí não dava para ninguém mais atravessar. Nessa, ele ficou sozinho do outro lado, resolvemos procurar uma outra saída e ele ficou mais de 20 km longe do grupo. Resumindo: quatro horas depois ele nos encontrou bem cansado e até um pouco desnorteado”, recordou Santichio.

Nos últimos seis anos, os americanenses pedalaram um total de 4.370 km. O próximo destino ainda não foi escolhido, mas a ideia é manter o Nordeste como palco principal, só que destacando caminhos com mais praias.

Texto: Alessandra Santos, especial para O Jogo

Fotos: Arquivo pessoal

(Matéria publicada na edição do O Jogo de 20 de julho de 2014)