O JOGO

A corneta precisar soar para Professor Adenor

TESTEIRA_PLANETA BOLA

– Assisti ao primeiro amistoso preparatório do Brasil para a Copa do Mundo e, quer queiram, quer não, a corneta precisa soar para o Professor Adenor se sintonizar: na Rússia, não dá pra vacilar!

– Me parece bastante razoável a escolha por um adversário de descendência e ideia de futebol parecida com a de um dos adversários da 1ª fase do Mundial, afinal, a Croácia formava a antiga Iugoslávia com a Sérvia, e ambas possuem concepção de futebol muita parecida, ou seja, são equipes que gostam de jogar com a defesa mais alta e atacar com a posse da bola.

– Ocorre que ficou muito notório que a seleção brasileira não possui nenhum centrocampista com as qualidades de um regista, aquele jogador que dita o ritmo como Xavi, Iniesta e como faz hoje o menino Arthur, do Grêmio, que foi preterido por Tite.

tite adenor– Deste modo, mostrou-se claramente inviável atuar com Fernandinho, Casemiro e Paulinho contra seleções inferiores. Para esses jogos, Tite deverá escalar um 4-2-3-1, com Coutinho como articulador e Neymar e Willian abertos, sendo que na ausência do primeiro abre-se disputa entre Douglas Costa – minha opção – e Taison.

– Com a trinca de volantes, o Brasil joga mais guarnecido, mas há enorme rombo na intermediária criativa que acaba, muitas vezes, sendo preenchido por Gabriel Jesus, tirando do camisa 9 o que faz de melhor, que é incomodar o miolo de zaga com sua força, velocidade e faro de gol.

– Nessa situação, Jesus sai da área para buscar o jogo, que até por vezes chega aos seus pés, e distribui para os lados onde Willian – o melhor do primeiro amistoso – e Coutinho – muito abaixo no último domingo – tentam alguma coisa. De se ressaltar que a estratégia não funcionou, o Brasil teve dificuldades para sair para o jogo – ocasionadas pela defesa alta da Croácia – e não criou quase nada.

– Quando conseguiu criar algo não foi por efetiva utilização da tática de Adenor, mas sim pelas individualidades destacadas com relação aos adversários e algumas ultrapassagens dos laterais – em especial de Danilo, que atuou com muito vigor e largou na frente de Fagner pela vaga de titular.

– No segundo tempo do amistoso, com o astro Neymar no lugar de Fernandinho, Tite colocou o Brasil no lugar correto para atuações contra equipes mais fracas, e o 4-2-3-1 funcionou absurdamente bem, com a seleção mais envolvente e dominante em campo, ao contrário do pragmático e sonolento primeiro tempo.

- Espero que tenha ficado claro: O 4-3-3 com Fernandinho, Casemiro e Paulinho pode ser de grande valia contra equipes mais fortes, mas para adversários mais fracos é necessário o 4-2-3-1 da segunda etapa.